segunda-feira, 4 de maio de 2015

Dar frutos...

O bombardeamento das notícias da greve da TAP e o recente suicídio do piloto da German Wings que matou mais de 150 passageiros fazem novamente vir a tona o tema da inteligência artificial. Por um lado, as possibilidades técnicas sempre mais avançadas parecem oferecer uma segurança às tarefas desempenhadas por máquinas; e, por outro, os humanos parecem cada vez menos merecedores de confiança. Não seria melhor substituir os pilotos humanos por computadores avançados e ficavam os problemas resolvidos? Seria uma melhor sociedade?

Por maiores artificialismos que se criem, não há verdadeira inteligência sem os laços afetivos que nos fazem humanos, sem as memórias e valores, de liberdade e criatividade, de que somos formados. Mas o perigo existe: se não cuidamos da nossa inteligência, se a desligamos de qualquer referência a valores maiores do que nós, tornamo-nos desumanos. E uma das formas maiores de constatação da desumanidade é o culto ao deus dinheiro. Não é ele, infelizmente, que parece ligar situações tão dramáticas (e nas devidas proporções) como o assassínio de quatro pessoas por questões de bens e partilhas na Póvoa do Varzim, e novamente a greve dos pilotos da TAP que está a prejudicar a vida de 300.000 passageiros? Mas que inteligência humana é esta?

A imagem do “robot”, que funciona sem questionar, nem se emocionar, pode ser muito forte mas não deixa de me interpelar. Muitos querem transformar-nos em máquinas mas nós temos que ter uma palavra a dizer... É cada vez mais necessário mostrar que somos humanos e ter a coragem em abandonar esquemas e roupagens que só nos prejudicam e lutar por uma humanidade mais feliz. É urgente deixar de lado a busca incessante por bens e riquezas atropelando tudo e todos. É urgente deixar de lutar por direitos sem consciência de deveres. É urgente deixar de lado a indiferença pela miséria de tantos.

Poderemos chamar inteligência artificial a muitos produtos humanos, mas a inteligência que Deus nos oferece tem coração. E afinal de contas não é o coração que nos faz viver? É preciso dar frutos...