sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O elogio contagia?

As crianças e o seu pequeno mundo todos os dias nos dão lições...fosse o mundo sempre assim... Sou pai e dou por mim a elogiá-las quando fazem rabiscos sem sentido aparente, quando comem tudo, quando não fazem xi-xi na cama, quando lavam as mãos, quando arrumam os brinquedos com que estavam a brincar... e se olhar para o meu bebé é mais do mesmo... até quase faço festa quando arrota... quando faz cocó, fico todo contente... "Lindo menino! Viva!" E o mesmo se passa à mínima gracinha que fizer... Aliás, quando o meu filho ri, o meu mundo pára.

Os elogios por tudo e por nada (mesmo quando há asneiras!) continuam no infantário... as minhas filhas fazem os desenhos mais lindos, fazem as linhas mais direitas, são as que pintam melhor... vão ser artistas de certeza, mas se calhar, é melhor tirar medicina primeiro, porque isto da arte é um caminho arriscado...

Certamente, quando fomos crianças aconteceu o mesmo connosco...sempre a ser elogiados pelos nossos pais... 
De repente crescemos e parece que nos tornamos uma espécie de seres menores, sempre a fazer disparates. Porque não temos objetivos, porque gastamos dinheiro naquilo que não devemos, porque somos egoístas... Depois casamos e aí então passamos mesmo ao estatuto de ralé, dos seres mais miseráveis que vagueiam por este mundo... "não tens paciência para os filhos", "estás sempre mal disposto", "é assim que se fala com os meus pais?", "olha para ti, pareces sei lá o quê"...

É prática mais do que comum falar mal de tudo e de todos... e quando somos capazes de elogiar alguém ou alguma coisa, quem está do outro lado fica espantado, até desconfiado, porque quando a esmola é muita o pobre desconfia.

Ás vezes, quase sempre, tenho uma saudade de voltar a ser criança... Como isso não é possível, há outro caminho que é o de elogiar quem nos rodeia... Afinal não dizem que o elogio contagia?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

As cinquenta sombras de Grey

Confesso que não li a trilogia publicada pela autora britânica E.L. James, que ficou milionária com a obra "As cinquenta sombras de Grey"... e só por essa razão já era um bom argumento para ir ver o filme ao cinema... eu que gosto tanto da sétima arte... afinal vejo tantos filmes que são adaptações de obras literárias que este foi apenas mais um...

Consigo perceber o que faz tanta gente gostar desta obra... afinal quem não gosta de uma história de amor? Quem não acha que o amor é o mais nobre sentimento do ser humano? E acho que é isto que cria todo o ruído que anda em volta do filme... Todas as outras razões não têm justificação... Erotismo? Zero... Pornografia? Zero... Alavancar relações adormecidas? Zero...

A história também me parece demasiado simples. Um multimilionário jovem, galã e, alegadamente, dominador e perverso, começa a ter inclinações sentimentais por uma mulher ainda mais jovem, hipoteticamente virgem. Básico...

Ela quer amor, ele diz que não faz essas coisas e daí nasce uma aborrecidíssima trama sem riscos nem vertigens, demasiado soft e previsível...

Há um dado que adorei no filme... a banda sonora... então a música interpretada pela Ellie Goulding é mesmo o expoente máximo... Vale a pena...

De resto também eu era o maior galã do mundo se tivesse um helicóptero para o primeiro date, ou então se tivesse na minha garagem carros topo de gama de várias cores para poder combinar com a roupa que trazia vestida... Por outro lado, a roupa interior da rapariga e as pilosidades púbicas de ambos são pormenores verdadeiramente assombrosos para um filme que muitos dizem ser hot...

Ah e já me esquecia, nos tempos que correm não há por aí quem fale em movimentos feministas? Não quer a mulher ser cada vez mais independente do homem? Não é a mulher que luta pela igualdade de direitos? Então acho que o filme não liga mesmo com esses factos... chicotes, cordas, algemas, controlo de telemóveis, de visitas, contratos cheios de regras numa relação a dois... há alguma mulher que goste?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A noite dos Óscares

A noite dos Óscares conta-se depressa: este foi o ano de Birdman, do mexicano Alejandro González Iñárritu: melhor filme, melhor realizador, melhor argumento original e melhor fotografia. Birdman é tudo menos um filme óbvio, muito menos um produto típico de Hollywood, mas a Academia rendeu-se. Não era o meu favorito, acho que o Boyhood merecia muito mais este galardão...

No Óscar para Melhor Ator ganhou Eddie Redmayne, que também era o meu favorito. Agora a minha principal derrota foi no Óscar para Melhor atriz... Tinha apostado as fichas todas em Rosamund Pike... E ganhou Julianne Moore...

Por fim, o Óscar para a mais linda vai para Anna Kendrick... Não concordam?

Os meus desertos

Sim, cada um de nós tem os seus desertos. E eu gosto de pensar nos meus... É fácil de constatar que nem sempre entrámos neles para a experiência feliz de um retiro ou para renovar as nossas forças - confesso que nesta fase da minha vida, em que não consigo encontrar tempo para o silêncio, me fazia muito bem fazer um retiro ou então percorrer um dos Caminhos de Santiago... Desertos que todas as perdas produzem, que todos os abandonos geram, e onde os lutos podem sufocar-nos ou renovar-nos. Quem não conhece o deserto de uma doença, de uma morte de alguém querido, de ficar desempregado, de dívidas acumuladas, de um passado que poucos esquecem e perdoam, de um vício difícil de vencer? E os desertos de falta de amor, de nenhuns amigos, de pouca esperança, de pouca confiança ou auto-estima? Todos os desertos são para atravessar, ou para encontrar neles o jardim em que se pode viver. É a harmonia frágil e a nossa condição de seres simples que podemos encontrar nos nossos desertos. Uma harmonia que não está isenta de tentações que nos perturbam, nem de perigos que nos atemorizam, mas onde a nossa liberdade vai fazer escolhas, e aprender a escolher melhor.

Não sejamos deserto para ninguém, e nem julguemos que ele é o fim do mundo. Tem mais de princípio do que parece. Para isso é preciso estar atento. É preciso sair dos nossos desertos por causa da vida! Eu adoro viver...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Quaresma, cinzas, pó...

É sempre assim, acaba o Carnaval e começa a Quaresma, com a Quarta-feira de Cinzas... para mim é um tempo de renovação, de introspeção e sobretudo é um tempo favorável de graça. Quantas vezes nos esquecemos de dar graças por tudo aquilo que de bom nos acontece?

Nesta Quaresma, para além da minha conversão, vou tentar olhar à minha volta, olhar para os que me rodeiam, olhar para aqueles que chamam por mim, olhar para os que sofrem... E como é difícil para mim mudar a minha atitude? Eu que gosto de estar no meu canto, com as minhas coisas.. É um verdadeiro desafio...

É verdade que quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros, não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! 
Não será esta atitude um enorme egoísmo? Como cristão tenho obrigação de ser diferente dos gentios...

No fundo que pó é este que eu sou?
Sim, sei que sou apenas pó, mas posso ser pó de construção, útil e agregador, ou apenas pó que destrói, que incomoda e confunde.
E afinal o que é ser pó, nas mãos do Criador?
É ser nada, para que Ele seja tudo em nós!
Fortes na fé, que seja uma boa Quaresma para ti e para mim...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Carnavais há muitos...

...mas eu prefiro este!! Soube-me super bem poder contemplar o mar, apanhar sol, saborear o vento... Há muito que não tinha um dia assim... Adoro sítios com pouca gente, onde se pode estacionar o carro sem stress, onde quase não se ouvem pessoas, não há telemóveis a tocar, não há barulho de cidade...
Resumindo, no dia de Carnaval consegui terminar um livro que tinha iniciado há quase um ano (paternidade, a quanto obrigas!!!)...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Limpinho, limpinho...

"Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo».” Mc 1, 41
“Se quiseres podes curar-me” - diz o leproso, ao que Jesus responde “Quero: fica limpo”. O querer de Jesus, o simples toque com a mão estendida e a sua palavra bastaram para transformar uma vida. E também nós podemos tocar os que nos rodeiam...

Nascemos e crescemos com uma necessidade profunda de tocar e ser tocados. A nossa pele, mais do que uma proteção, é um território de encontro e diálogo. Os braços e as mãos, não se elevam como asas, mas desejam abraços e carícias. Deus, ao modelar-nos, fez-nos “tocáveis”, a criar também com o nosso toque, a dar vida com os nossos gestos, a precisar da vida que recebemos de quem nos abraça. Quem desconhece a importância fundamental de um bébé crescer rodeado de carinho, que as mãos, o colo e os lábios transmitem? E porque nos tornamos “intocáveis” à custa de preconceitos e violências? Sim, há toques cheios de amor e que nos recriam, e outros que humilham e desumanizam. Mas sabemos distinguir uns dos outros, não é verdade? 

As palavras têm uma força admirável. Mas sem o toque que lhes dá vida, pouco valem. Precisamos mais de abraços do que de leis, mais de carinho do que de condenações.

Quais são as minhas lepras? Quais são as doenças físicas ou espirituais que me afastam dos outros, dos que sofrem, dos que passam fome, dos que estão em dificuldade, da minha minha mulher, dos meus filhos, dos meus familiares? A minha preguiça? A minha falta de humildade? A minha presunção? A minha mania da riqueza? O meu bem-estar? O meu orgulho? Podem ser tantas as lepras... 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Amo-te - sacos de tecido

Numa altura em que tanto se fala na questão da utilização - ou não - dos sacos de plástico que tal aproveitar o dia dos namorados (confesso que não ligo nada ao dia, mas é que não ligo mesmo!!!!) para oferecer à nossa mais que tudo um saco de tecido que ajuda o ambiente e enche as ruas de alegria com as ilustrações verdadeiramente fantásticas da Verse Store. Quem não gosta de ir às compras? E que tal ir às compras com muito estilo?

Ah, quase me esquecia, os sacos são fabricados e costurados à mão em Portugal.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Trabalho terapêutico

Com três crianças em casa, duas gémeas - que não param um segundo, que puxam os cabelos uma à outra, que querem o mesmo brinquedo (quando há dois exatamente iguais no baú das brincadeiras), que ora querem isto, ora querem aquilo -  e um bebé de 8 meses - que precisa de toda a atenção e mais alguma, até para as queridas irmãs não o atacarem - e um dedo partido a jogar futebol, quem é que é capaz de dizer que vir trabalhar não é terapêutico?