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segunda-feira, 23 de março de 2015

O grão de trigo...

"Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. " Jo 12, 24 

É curiosa a imagem do grão de trigo lançado à terra: se ele não morrer, fica só; se ele morrer, dará muito fruto. Na sociedade em que vivemos tanto se propaga um extra-sofrimento que azeda a vida, como se busca uma vida de facilidade na fuga de todo o sofrimento. E neste sentido, o grão de trigo que tem de morrer no silêncio da terra lembra o trabalho e o sofrimento necessários para que haja mais vida e mais frutos. É o esforço e a coragem de levar ao máximo os dons de vida que possuímos que contraria todo o facilitismo que nunca ajuda a crescer. Mas isso não significa inventar ou manter situações de sofrimento que só geram revolta, porque não têm em vista o maior bem de todos, e são impostas de fora. Pois o dom que gera vida é amor, é doação livre e interior, que rompe a casca do individualismo e da autossuficiência. Quando faço o bem, sinto uma paz e uma alegria imensa. E nem quero lembrar o que sinto quando sei que magoei alguém...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ser luz...

“Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus.” Jo 3, 21
Nestes dias conturbados, em que, quase todos os dias, há notícias terríveis de atentados provocados pelo Estado Islâmico, mais um marido mata a mulher e depois se suicida (“que pena não ter feito ao contrário!”, ouve-se no café), um banco a falir e a deixar pendurados centenas de clientes, os políticos e os altos cargos percebem que, mais cedo ou mais tarde, “tudo se descobre e vem a saber”, e os juros da dívida são os mais baixos de sempre (mas o fosso das desigualdades não cessa de aumentar) é bom ouvir que: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito”. Porque acredito que é no seu amor que todo o sofrimento é abraçado, e a ressurreição de Cristo compromete-me a espalhar com a vida esse amor dado. Deus não ama o mundo ideal e perfeito, mas este, onde vivemos, imperfeito e cheio de contradições, em caminho, porque ama cada pessoa, real, capaz do melhor mas também do pior. E em cada pessoa pode brilhar a luz de Deus, mesmo que não acredite n’Ele!
 
 Acredito ainda que Deus gosta tanto de revelar o seu amor onde e em quem menos se espera. Não é preciso sermos "Super Cristãos", nem passarmos os dias na igreja ou a falar com padres. Se praticarmos a verdade não só nos aproximamos da luz, mas espalhamos luz à nossa volta! Já deste conta, certamente, que basta a luz do ecrã do telemóvel para iluminar todo um quarto escuro...

sexta-feira, 13 de março de 2015

Dia de greve geral

Dia de Greve Geral significa que vou estar quase sozinho no meu trabalho... aliás hoje até cá estão mais pessoas do que estava realmente à espera... A greve é um direito e quanto a isso não há nada a dizer... agora também é um direito não fazer greve... e eu não faço greves, não participo em manifestações... Entendo que os problemas não se resolvem assim... Imagine-se se os meus filhos fizessem greves por causa das ordens/recomendações que lhes faço? E entre o casal? Eu acho que estaria sempre em greve pois estou quase sempre em desacordo com a "patroa" lá de casa...

Mas voltando ao trabalho, nestes dias, há sempre à porta das instalações um piquete de greve... passam ali o dia de volta de um grelhador e uma (ou duas, ou três...) grade de minis e fazem troça de quem quer trabalhar... fecham os portões para que não haja acesso aos gabinetes, mandam bocas, etc... e são estas pessoas que critico. Se estão em greve, façam greve! Não venham para o local de trabalho chatear quem quer trabalhar!

 E ainda gostava de saber se na próxima folha de vencimento destas pessoas este dia vem lá descontado... Ou então se durante o mês não vão pedir aos chefes para fazer umas horinhas extra para compensar o dia... Oh, se gostava...

quinta-feira, 12 de março de 2015

Os espaços que habitamos revelam-nos

Destruí este templo e em três dias o levantarei.” Jo 2, 21
O filósofo Martin Heidegger dizia que “habitar é o traço essencial do ser de acordo com o qual os mortais são”, e Saint-Exupéry descobria que “os homens habitam e que o sentido das coisas varia para eles em função do sentido das suas casas”. Por isso, para além das casas, os lugares sagrados sempre foram expressão do encontro com o divino. Do santuário “portátil” que acompanhava o povo de Israel no deserto ao Templo de Jerusalém, duas vezes edificado, fez-se um enorme caminho. E o Templo, no tempo de Jesus, era o coração de Israel. Nele, Jesus foi consagrado ao Senhor; ali se perdeu em debates teológicos com os doutores da Lei; e também virou tudo do avesso ao ver o átrio dos gentios transformado em mercado. Decididamente, o messias esperado não iria atacar a religião que estava “tão bem organizadinha” em esquemas de sacrifícios, mandamentos e preceitos, clarinha quem nem água para distinguir os “verdadeiros” dos “falsos crentes”! Assustados com a alusão à destruição do Templo (outra vez?) não entendem que a ressurreição de Jesus nos dará o “novo templo” do seu corpo. 

E andaremos sempre a descobrir a maravilhosa ousadia de nos “encontrarmos” no Corpo de Cristo, e de ser membros deste “Corpo”. Para nos encontrarmos com Deus não basta entrar numa igreja . É preciso entrar na intimidade com Jesus, encantarmo-nos com o seu projeto, viver ao seu jeito. Mais do que ser “pedra” de uma construção, todos podem descobrir-se “membros” de um corpo, com uma vida interdependente, onde não há “átrios” de discriminação, e as portas estão abertas a todos, especialmente os mais necessitados de vida e de amor. Sim, é um habitar diferente, mais ao ar livre, sem telhados nem paredes, onde o Espírito Santo nos convoca e estimula a viver em plenitude. Numa comunhão em que, se um membro sofre, todos sofrem, e se um se alegra, todos se alegram. Há muito ainda a aprender para viver assim, não é verdade?

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pezinho de chumbo...


Em vésperas do dia da mulher (devo acrescentar que a esta hora já não há mulheres no meu local de trabalho pois foram todas lanchar - oferta do Sr. Presidente!!!) acho que aquelas que são fãs de Cristiano Ronaldo vão ficar desoladas com o "pé de chumbo" que ostenta num anúncio em que aparece a dançar... muito mal... Pode ser uma estrela, mas certamente não da pista de dança.

quinta-feira, 5 de março de 2015

A espantosa realidade das coisas

Hoje acordei assim... sem perceber a minha história, ou melhor, sem a querer perceber. É difícil esta gestão de querer ser Deus de mim próprio, de querer satisfazer a minha e só a minha vontade e saber que tudo aquilo que acontece tem uma causa, uma razão de ser. E que não sou eu o Senhor da minha vida...
Tenho momentos que não entendo o porquê das coisas, em que desanimo, mas rapidamente dou a volta e "às vezes oiço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido".

ah e tal estava bêbedo...

Atrofiam-me aquelas pessoas que justificam os seus atos com o facto de estarem sob o efeito do álcool ou então aquelas que dizem que só conseguiriam fazer isto ou aquilo se estivessem bêbedas... Que coisa terrível... 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Maldito gene

...que tinha que estar em mim... que me faz sonhar tanto... que me faz desejar tanto... E que também me faz sofrer tanto...
Só pergunto, DRD4 porquê eu?

terça-feira, 3 de março de 2015

Genial baza...


Imagine-se... nós, eu e tu, altos quadros da gestão das nossas casas, não sabermos onde gastamos 90% dos nossos rendimentos... consegues fazer este exercício? Eu não...

Muito sinceramente, acho que há um tempo em que é preciso abandonar a roupa velha e deixar os caminhos que nos levam sempre aos mesmos sítios... é preciso sangue novo... aliás é urgente... Zeinal Bava, o genial, baza...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Aquilo que verdadeiramente interessa...

"Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu só com eles para um lugar retirado num alto monte e transfigurou-Se diante deles." Mc 9,2
Gosto de observar as pessoas... de reparar no que as move... De ver as suas atitudes perante este ou aquele acontecimento... Na verdade, acho que muitos de nós, e eu próprio incluído,  perdemos muito tempo com aquilo que não interessa… Não percebemos que a vida plena está no amor levado até às últimas consequências (até ao dom total da vida), e não na preocupação egoísta com os nossos interesses pessoais, com o nosso orgulho, com o nosso pequeno mundo privado; está no serviço simples e humilde em favor dos dos mais débeis, dos mais marginalizados, dos mais infelizes, e não no assegurar para si próprio uma dose generosa de poder, de influência, de autoridade, de domínio, que dê a sensação de pertencer à categoria dos vencedores; está numa vida vivida como dom, com humildade e simplicidade, e não numa vida feita de um jogo complicado de conquista de honras, de glórias, de êxitos. Na verdade gosto de pensar nisto, onde é que está a realização plena do homem? Quem tem razão: Deus, ou os esquemas humanos que hoje dominam o mundo e as nossas vidas?

Por vezes somos tentados pelo desânimo, porque não percebemos o alcance dos esquemas de Deus; ou então, parece que, seguindo a lógica de Deus, seremos sempre perdedores e fracassados, que nunca integraremos a elite dos senhores do mundo e que nunca chegaremos a conquistar o reconhecimento daqueles que caminham ao nosso lado… 

A transfiguração de Jesus grita-me, do alto daquele monte: não desanimes, pois a lógica de Deus não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O elogio contagia?

As crianças e o seu pequeno mundo todos os dias nos dão lições...fosse o mundo sempre assim... Sou pai e dou por mim a elogiá-las quando fazem rabiscos sem sentido aparente, quando comem tudo, quando não fazem xi-xi na cama, quando lavam as mãos, quando arrumam os brinquedos com que estavam a brincar... e se olhar para o meu bebé é mais do mesmo... até quase faço festa quando arrota... quando faz cocó, fico todo contente... "Lindo menino! Viva!" E o mesmo se passa à mínima gracinha que fizer... Aliás, quando o meu filho ri, o meu mundo pára.

Os elogios por tudo e por nada (mesmo quando há asneiras!) continuam no infantário... as minhas filhas fazem os desenhos mais lindos, fazem as linhas mais direitas, são as que pintam melhor... vão ser artistas de certeza, mas se calhar, é melhor tirar medicina primeiro, porque isto da arte é um caminho arriscado...

Certamente, quando fomos crianças aconteceu o mesmo connosco...sempre a ser elogiados pelos nossos pais... 
De repente crescemos e parece que nos tornamos uma espécie de seres menores, sempre a fazer disparates. Porque não temos objetivos, porque gastamos dinheiro naquilo que não devemos, porque somos egoístas... Depois casamos e aí então passamos mesmo ao estatuto de ralé, dos seres mais miseráveis que vagueiam por este mundo... "não tens paciência para os filhos", "estás sempre mal disposto", "é assim que se fala com os meus pais?", "olha para ti, pareces sei lá o quê"...

É prática mais do que comum falar mal de tudo e de todos... e quando somos capazes de elogiar alguém ou alguma coisa, quem está do outro lado fica espantado, até desconfiado, porque quando a esmola é muita o pobre desconfia.

Ás vezes, quase sempre, tenho uma saudade de voltar a ser criança... Como isso não é possível, há outro caminho que é o de elogiar quem nos rodeia... Afinal não dizem que o elogio contagia?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A noite dos Óscares

A noite dos Óscares conta-se depressa: este foi o ano de Birdman, do mexicano Alejandro González Iñárritu: melhor filme, melhor realizador, melhor argumento original e melhor fotografia. Birdman é tudo menos um filme óbvio, muito menos um produto típico de Hollywood, mas a Academia rendeu-se. Não era o meu favorito, acho que o Boyhood merecia muito mais este galardão...

No Óscar para Melhor Ator ganhou Eddie Redmayne, que também era o meu favorito. Agora a minha principal derrota foi no Óscar para Melhor atriz... Tinha apostado as fichas todas em Rosamund Pike... E ganhou Julianne Moore...

Por fim, o Óscar para a mais linda vai para Anna Kendrick... Não concordam?

Os meus desertos

Sim, cada um de nós tem os seus desertos. E eu gosto de pensar nos meus... É fácil de constatar que nem sempre entrámos neles para a experiência feliz de um retiro ou para renovar as nossas forças - confesso que nesta fase da minha vida, em que não consigo encontrar tempo para o silêncio, me fazia muito bem fazer um retiro ou então percorrer um dos Caminhos de Santiago... Desertos que todas as perdas produzem, que todos os abandonos geram, e onde os lutos podem sufocar-nos ou renovar-nos. Quem não conhece o deserto de uma doença, de uma morte de alguém querido, de ficar desempregado, de dívidas acumuladas, de um passado que poucos esquecem e perdoam, de um vício difícil de vencer? E os desertos de falta de amor, de nenhuns amigos, de pouca esperança, de pouca confiança ou auto-estima? Todos os desertos são para atravessar, ou para encontrar neles o jardim em que se pode viver. É a harmonia frágil e a nossa condição de seres simples que podemos encontrar nos nossos desertos. Uma harmonia que não está isenta de tentações que nos perturbam, nem de perigos que nos atemorizam, mas onde a nossa liberdade vai fazer escolhas, e aprender a escolher melhor.

Não sejamos deserto para ninguém, e nem julguemos que ele é o fim do mundo. Tem mais de princípio do que parece. Para isso é preciso estar atento. É preciso sair dos nossos desertos por causa da vida! Eu adoro viver...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Carnavais há muitos...

...mas eu prefiro este!! Soube-me super bem poder contemplar o mar, apanhar sol, saborear o vento... Há muito que não tinha um dia assim... Adoro sítios com pouca gente, onde se pode estacionar o carro sem stress, onde quase não se ouvem pessoas, não há telemóveis a tocar, não há barulho de cidade...
Resumindo, no dia de Carnaval consegui terminar um livro que tinha iniciado há quase um ano (paternidade, a quanto obrigas!!!)...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Limpinho, limpinho...

"Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo».” Mc 1, 41
“Se quiseres podes curar-me” - diz o leproso, ao que Jesus responde “Quero: fica limpo”. O querer de Jesus, o simples toque com a mão estendida e a sua palavra bastaram para transformar uma vida. E também nós podemos tocar os que nos rodeiam...

Nascemos e crescemos com uma necessidade profunda de tocar e ser tocados. A nossa pele, mais do que uma proteção, é um território de encontro e diálogo. Os braços e as mãos, não se elevam como asas, mas desejam abraços e carícias. Deus, ao modelar-nos, fez-nos “tocáveis”, a criar também com o nosso toque, a dar vida com os nossos gestos, a precisar da vida que recebemos de quem nos abraça. Quem desconhece a importância fundamental de um bébé crescer rodeado de carinho, que as mãos, o colo e os lábios transmitem? E porque nos tornamos “intocáveis” à custa de preconceitos e violências? Sim, há toques cheios de amor e que nos recriam, e outros que humilham e desumanizam. Mas sabemos distinguir uns dos outros, não é verdade? 

As palavras têm uma força admirável. Mas sem o toque que lhes dá vida, pouco valem. Precisamos mais de abraços do que de leis, mais de carinho do que de condenações.

Quais são as minhas lepras? Quais são as doenças físicas ou espirituais que me afastam dos outros, dos que sofrem, dos que passam fome, dos que estão em dificuldade, da minha minha mulher, dos meus filhos, dos meus familiares? A minha preguiça? A minha falta de humildade? A minha presunção? A minha mania da riqueza? O meu bem-estar? O meu orgulho? Podem ser tantas as lepras... 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Algo me diz...

...que a Sra. Lagarde convidou o Sr. Varoufakis para a ante-estreia das 50 Sombras de Grey, ou então ao contrário, foi ele quem fez o convite... A improvável e ternurenta fotogaleria merece ser vista... é contagiante... possamos estar assim tão bem dispostos ao longo do dia...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O sofrimento e a dor...

"Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios." Mc 1, 34
Que sentido têm o sofrimento e a dor que acompanham a caminhada do homem pela terra? Qual a “posição” de Deus face aos dramas que marcam a nossa existência? Porque Deus permite que crianças tenham doenças terríveis? Talvez nem sempre entendamos o sentido do sofrimento que nos espera em cada esquina da vida; talvez nem sempre sejam claros, para nós, os caminhos por onde se desenrolam os projetos de Deus... A resposta a estas questões não são fáceis e imediatas mas para mim, que sou crente e que acredito na vida eterna, posso dizer que o projeto de Deus para o homem não é um projeto de morte, mas é um projeto de vida verdadeira, de felicidade sem fim.

Os sofrimentos que tenho tido ao longo da minha vida, e são vários, vêm sempre mostrar-me que há uma razão para tudo. Sem sofrimentos, com certeza, não precisaria de Deus para nada... a vida seria uma maravilha, cheia do meu eu, repleta das minhas vontades satisfeitas e nunca daria graças a Deus... no fundo, todas as minhas conquistas seriam obra minha e não d'Ele... Vejo os sofrimentos como uma enorme arma de conversão... Veja-se, recordo com saudade o Papa João Paulo II, que pelo que sofreu até ao fim da sua vida, será sempre um exemplo para mim...

Também penso que se calhar todos temos um familiar, um amigo, um colega, um vizinho que está doente ou a atravessar um momento de sofrimento profundo. Perante isto, qual é a tua e a minha reação? Ficamos a pensar: “Ah! Tenho que lá ir...”, “Devia de ir ajudar porque ele é meu amigo...” ou “Sim! Eu vou ajudar!”, mas depois não saímos do sofá, não saímos do nosso conforto... Ou então, por outro lado, “Sim, olha, este amigo está a precisar de mim. Deixa-me pôr a caminho.”. Como é que eu vou fazer isto? Vou ter com ele. Vou falar com ele. Vou levar-lhe uma palavra. Dar-lhe alguma esperança numa situação difícil que ele precisa. Quem de nós faz isto sem receios, sem medos, sem vergonhas?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Ingenuidade...

Olho há minha volta e vejo que todos têm sempre algo a reclamar, algo a criticar. Há pessoas que acordam e a primeira coisa que dizem deve ser não... Reclama-se com os políticos e as políticas, com a economia, com o marido, com a mulher, com os filhos, com os colegas de trabalho, com a senhora do bar, com os cantoneiros que apanham o lixo na rua por não cumprirem bem as suas funções, com os funcionários das urgências que não dão a pulseira da cor pretendida, com o padre e as beatas que vivem à sua volta que querem ser mais papistas que o Papa e as suas vidas são verdadeiras desgraças... há quem passe o dia nisto... que perda de tempo!

Eu sou precisamente ao contrário e há quem chame ao meu modo de vida ingenuidade, mas olha... se for, prefiro ser ingénuo, a ter uma vida de não, não, não permanente... prefiro tentar perceber o porquê de as pessoas terem esta ou aquela atitude e tento não as julgar por isso...

Por outro lado, falando de um modo simples, a religião, a política e a economia são instrumentos terríveis que muitos usam para sustentar as suas ilusões de segurança e controlo. As pessoas têm medo da incerteza e do futuro. Essas instituições, essas estruturas e ideologias, são um esforço inútil para criar alguma sensação de certeza e segurança, quando nada disso existe. É tudo falso... E acredito que quem utiliza o seu cargo, a sua função para se sobrepor aos demais não vai esperar pela demora... é tudo uma questão de tempo... 

Perante isto não é muito melhor reparar que todos estamos rodeados pela beleza, pela maravilha da natureza, pela arte, pela música, pela cultura, pelos sons do riso e do amor, pelo dom da vida, pelo perdão e reconciliação?